Por você, eu dançaria tango no teto...
Para o amor, um banco de praça já basta.
Ou ficar na frente de um portão.
Ou uma xícara de café.
Amor mesmo é um filme de baixo orçamento.
Fabrício Carpinejar  

literatelho:

Eu ando temendo às letras. É como se elas tivessem mais de mim que eu mesma. Me jogo de cabeça em cada ponto e fico ali. Não há mais ” mim”, não há mais espaço, virgulas ou parágrafos que me caiba. Temo, porque em cada ponto eu te deixo, me deixo. A vírgula faz a pausa, me…

Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira.O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.
Martin Luther King  
Tudo flui”, segundo Heráclito. Tudo está em movimento, e nada dura eternamente. Por isso, não podemos “entrar duas vezes no mesmo rio”. Porque quando entro no rio pela segunda vez, tanto eu como o rio estamos mudados.
O Mundo de Sofia  
Alguns infinitos são maiores que outros…
A Culpa é das Estrelas
Eu era um solitário por natureza, que se contentava em viver com uma mulher, em comer com ela, dormir com ela e sair à rua com ela. Não queria conversas, nem passear, a não ser para ir às corridas de cavalos ou às lutas de boxe. Não gostava de TV, e achava estúpido gastar dinheiro para ir numa sala de cinema com outras pessoas e partilhar as suas emoções. As festas me deixavam doente. Detestava as falsas aparências, os jogos sujos, os namoricos, os bêbados amadores e os chatos. Como solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, exceto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar. Eu não gostava de Nova Iorque, não gostava de Hollywood, não gostava de Rock, não gostava de nada. Talvez tivesse medo… ‘os maiores homens são os mais solitários’.
Charles Bukowski
Meu poeta, eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de quê
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você.
Vinicius de Moraes  
Você sabe que a minha vontade maior é de despir teus olhos, sentir a morte me devorar enquanto eu os devoro. É rasgar as cortinas negras que os mantém escondidos, é ver o teus desejos, todos os teus medos e receios, é te ver sorrir por eles. É morar neles eternamente, mesmo morrendo, mesmo sendo loucura. Já falei desse abismo, desse teu sorriso que me atrai, e não me canso, caio infinitas vezes, me desmonto, me destruo. Você me remonta e me deixa nos escombros, me levanto procurando teus olhos, pulo e afundo novamente. É um clico vicioso o qual sou dependente.
Me falaram uma vez que os olhos do abismo são atraentes, eu respondi que o abismo dos teus olhos é a minha moradia. Soa como uma poesia suicida, me hipnotiza e sempre me faz cair.
John 
O azar da Tati é que ela não bebe. Essa incômoda lucidez a persegue, sussurrando em seu ouvido que as pessoas, quando dizem as coisas, não estão dizendo as coisas; que aquilo que se mostra não é o que se pensa; que há um abismo entre o que a gente queria que a vida fosse e o que ela é. Esse fosso intransponível é o que leva as pessoas a beber. Ou a escrever. A nossa sorte é que a Tati não bebe.
Antônio Prata sobre Tati Bernardi
Mas vou ficar aqui
Até que o dia amanheça
Vou me esquecer de mim
E você, se puder, não me esqueça
Skank
Nasce boneca, rostinho de porcelana, corpinho de pano. Da boneca, o pano vai se desgastando, rasgando, a porcelana racha, quebra a cara. Tenta se esconder achando que fuga é proteção, e de repente: Cadê a boneca que tava aqui? Fica sem graça ao perceber que não perde a graça trocando porcelana e pano por carne e osso, e aí já é tarde demais. Virou gente, e então fica tudo mais complexo, as coisas saem de controle. Aí diz uma coisa, repete, diz uma coisa, e nós aqui, vendo outra coisa. Contradição. Confusão. Como cantou Cazuza: Tuas ideias não correspondem aos fatos! E essa confusão grita aos olhos do público. Quem é você? Você sabe? O que você deseja? O que você faria se pudesse escolher, você sabe?
Pedro Bial 

Aquela moça sorria com os olhos,
tudo conspirava a favor dela.
O vento amava seus cabelos finos e negros,
os faziam dançar ao som do canto dos pássaros.

Aquela moça vendia flores,
andava com livros embaixo dos braços,
caneta entre os dedos e,
uma folha em branco entre os livros velhos.

Florista com cara de poeta,
jeito de boa moça,
olhar de gente carente,
e sorriso simpatizante.


Florista que sorria com os olhos e me fez escrever versos sem sentido, Kamila Gonçalves.   
Minha intenção não era ser um segredo, surpresa ou fato auspicioso. Já havia perdido muito tempo com a compulsão de observar os ponteiros do relógio que tomavam as infindáveis horas, enquanto o dia corria ociosa e futilmente, esgueirando-se e encerrando os meus nervos à flor da pele. De imediato, cogitava o propósito de ser bem resolvida, ora que não mais temia a ação do tempo sobre o ensejo. O que temia que o ciclo antagônico me propusesse? À medida que fugia da luz, o choque lúcido me debatia os glóbulos e o líquido quente dizimava as minhas veias. Não demorei neste manejo mais do que cinco minutos e já possuía o corpo tomado pela compreensão de que tudo me era desconhecido. Esperei certo tempo até que o sangue regenerasse e descruzei os braços trêmulos observando a palidez das mãos e a vista embargada pelas pupilas imediatamente dilatadas. Era inútil tentar no claro da escuridão, levantar o olhar e denotar qualquer palavra. Nada saía. A voz era fraca e lenta. A vida era candeia, acesa à álcool e fogo. No laudo: óbito vocabular.
Maria Mariana